30 Junho 2008 

Fado

Diz-me o porquê dessa canção tão triste
Que me diz não vir de ninguém
Decerto alguma coisa tu pediste
A essa voz que tu não sabes de onde vem

Diz-me o porquê dessa canção tão triste
Me fazer sentir tão bem
Decerto alguma coisa mais te disse
A mesma voz que não dizes a ninguém

Eu sei que tudo ser em vão é triste
Como é triste um homem morrer
Pergunta à voz se essa canção existe
E se ela não saber ninguém mais vai saber

Diz-me o porquê dessa canção tão triste
te fazer sentir tão bem
Decerto eu oiço a voz que tu ouviste
Talvez tu saibas de onde vem

01 Abril 2008 

Ainda choca

Não é novidade, mas aquilo que todos sabemos fica aqui concretizado em números:

"Numa década, o fosso entre o rendimento das famílias mais pobres e mais ricas duplicou. Em 2006, segundo dados divulgados ontem pelo INE, o rendimento médio anual dos agregados familiares 10% mais pobres foi de cerca 6.650 euros.

Um valor 8,9 vezes inferior aos 59.282 euros que, por ano, foram ganhos pelos agregados incluídos na fatia das 10% mais ricas. Há dez anos a diferença era de apenas 4,6 vezes, ou seja, quase metade.

Portugal está hoje mais rico e mais competitivo do que há dez anos, mas está também mais desigual, uma tendência que se agravou e que quebrou a aproximação registada durante os anos 80. "

Fonte: Jornal de Negócios

É curioso que esta notícia saia no mesmo dia em que se sabe que a banca pagou menos 30% de impostos no ano passado que em 2006. Isto apesar do aumento de lucros de 9%.

É só um exemplo das injustiças. A (péssima) distribuição da riqueza continua a ser o maior problema do mundo. E Portugal continua a mostrar esta tendência para o aumento da desigualdade. Este é o resultado da sociedade de consumo. De não saber até quanto realmente se precisa. Do ter só pelo ter. E até haver uma mudança histórica, só me parece que este fosso vai continuar a aumentar. E com ele a escravatura do ordenado baixo, da precariedade e do endividamento crónico.

10 Março 2008 

A night like this

Ao som de espanta espíritos lá surgiu ele do escuro. Meio homem, meio criança. Roupas largas que lhe flutuam pelo corpo. A cara pintada e o cabelo longo desgrenhado. Sorriso tímido e olhar profundo. A guitarra soou, a voz dele ecoou e lá fui eu. Por momentos voltei atrás no tempo. Para algum lado onde fui feliz, noutro melancólico. Para sítios onde conheci pessoas e para os lugares onde as perdi. Durante aquelas horas deixei-me ir. No embalo da música. Nos versos duma canção. Quem sou eu para resistir?



Canção:"From the edge of the deep green sea", retirada do DVD "Show".

04 Março 2008 

Falar por falar

1. Luís Felipe Menezes anda por aí a defender que a RTP deve ser livre de publicidade. Segundo a lógica do presidente do PSD, o orçamento de publicidade deve ser dividido inteiramente pelos canais privados. E para mostrar que ele quer ser amigo dos canais privados, fez o anúncio na SIC Notícias, foi repetir as ideias ao Jornal da Noite e Jornal Nacional. Nitidamente, o senhor Menezes não pensou no assunto. Ou então quer mesmo ver os portugueses a pagarem mais 500 milhões de euros para ver a RTP ainda mais controlada pelos Governos. Quem sabe, vamos ver repetições do Prós e Contras todas as noites. Ou um especial Dança Comigo com a bancada parlamentar do PSD. O Santana Lopes deve dar uns belos passos de corridinho...
2. Os sindicatos andam todos os dias na rua a protestar contra a ministra da Educação. Eu bem sei que estão a fazer o papel deles. Mas, apre... Estão um bocado reaccionários. Rejeitam todas as mudanças e não apresentam ideias concretas. Quem os ouve, pensa que até agora estava tudo bem. Espero ver manifestações não contra ideias do Governo, mas por ideias próprias e que façam com que o sistema educativo português avance. E não pelo ponto de vista da classe dos professores. Mas também de alunos e outros funcionários das escolas.
3. José Sócrates e o discurso do avanço. Tirando os bancários e os administradores das empresas ligadas ao sector energético essa tanga já não pega, senhor primeiro ministro. Se tirasse a cabeça da areia...

23 Fevereiro 2008 

O amor e outros desastres

Em boa hora está aí o regresso da senhora Alison Goldfrapp, com o novo álbum "Seventh Tree". É algo de deslumbrante. Este "A&E" é o primeiro avanço...



"How did I get to accident & emergency?
All I wanted was you to take me out high
I was feeling lonely, feeling blue
Feeling like I needed you
Like I hope you'd call and hope you'd see me
in A&E"

21 Fevereiro 2008 

Mergulhado na penumbra

"Mergulhado na penumbra daquele quarto, de olhos postos na sombra dele que se reflectia na parede, comecei a falar sobre a situação em que me encontrava. Abri o meu coração como não fazia há muito tempo e contei tudo o que havia para contar sobre mim, com a lentidão do gelo que se derrete, sem me preocupar com o tempo. Disse que a minha vida se estava a aguentar, mas sem chegar a parte alguma, ao mesmo tempo que me sentia a envelhecer. Quer era incapaz de amar alguém. Que nada me tocava nem eu tocava em nada. Que já não sabia o que procurar. Que procurava dar o máximo naquilo que fazia, mas que o esforço me parecia inútil. Que sentia a minha carapaça endurecer, os músculos a ficarem cada vez mais rígidos, e que isso me fazia medo. Que aquele era único lugar onde eu ainda me sentia ligado, por mais ténues que fossem os elos".

- Haruki Murakami, in "Dance, dance, dance"

20 Janeiro 2008 

Grande álbum, grande música...

The Shout Out Louds - "Impossible"

de "Our Ill Wills"



Obrigado pela dica, Ana Martins!